O que fazer quando um cliente relata uma tentativa de golpe do falso advogado
Por Dr. Christian Cancela

“Recebi uma mensagem em seu nome dizendo que meu processo liberou um valor e preciso pagar uma taxa. É verdade?”
Quando um cliente entra em contato com essa dúvida, o escritório enfrenta um momento crítico de atendimento. Os criminosos utilizam fotos de perfil, nomes de advogados e dados reais de processos judiciais para solicitar pagamentos via Pix. Nesses momentos, a forma como a equipe responde é decisiva para proteger o cliente e preservar a confiança na relação profissional.
Ter um protocolo claro e bem definido para agir logo no primeiro contato evita reações precipitadas, impede o vazamento de novas informações e garante uma orientação segura.
A seguir, apresentamos os passos essenciais que o escritório deve adotar para acolher o cliente e conduzir a situação com eficiência.
1. Acolha o cliente e faça uma triagem rápida
O atendimento inicial deve ser pautado pela tranquilidade e pelo acolhimento. O cliente que procura o escritório geralmente está apreensivo e receoso de perder um crédito judicial. A orientação inicial deve reforçar que ele agiu corretamente ao consultar o escritório antes de realizar qualquer transferência.
Em seguida, a equipe deve realizar quatro perguntas objetivas para avaliar o cenário:
- Houve algum pagamento? Confirme se o cliente efetuou transferências via Pix, pagamentos de boletos ou depósitos.
- Foram compartilhados dados ou senhas? Verifique se houve o envio de códigos recebidos por SMS, senhas bancárias ou documentos pessoais.
- Quais dados o golpista utilizou? Identifique se foram citados números de processos, nomes de profissionais da equipe ou valores específicos.
2. Confirme a falsidade do contato por um canal oficial
Após entender o relato, o escritório deve emitir uma resposta direta e conclusiva: “Essa mensagem não partiu do nosso escritório. Trata-se de uma tentativa de golpe. Não faça nenhum pagamento e interrompa o contato.”
Evite respostas vagas ou hesitantes, que podem aumentar a ansiedade de quem já está sob pressão. A confirmação deve ser enviada por um canal oficial que o cliente já reconhecia previamente, como o telefone principal do escritório ou o e-mail institucional.
Oriente o cliente a nunca utilizar contatos ou links indicados na própria mensagem suspeita para tentar confirmar as informações.
3. Oriente o cliente a guardar evidências antes de bloquear
Embora a reação imediata seja bloquear o número, é fundamental orientar o cliente a preservar o histórico da conversa antes do encerramento do contato. Essas evidências serão necessárias para o registro policial e para o procedimento bancário.
Peça ao cliente que guarde:
- Capturas de tela (prints) da conversa completa, com o número de telefone e o perfil visíveis.
- Mensagens de áudio e arquivos recebidos (sem clicar em links suspeitos).
- Comprovantes de pagamento ou chaves Pix informadas, caso tenha ocorrido transferência.
Após salvar esse material, o cliente deve realizar a denúncia do número no aplicativo e efetuar o bloqueio.
4. Emita um comunicado preventivo para a sua base de clientes
Além de atender o cliente que sofreu a abordagem, orientar preventivamente toda a sua base de clientes é uma medida indispensável de precaução. A emissão de avisos periódicos evita que outros clientes sejam pegos de surpresa por abordagens semelhantes.
Ao enviar um comunicado preventivo, mantenha o tom objetivo, instrutivo e tranquilo. O foco deve ser reforçar a segurança e esclarecer a postura do escritório:
- Reitere quais são os telefones, e-mails e canais oficiais de atendimento da banca.
- Destaque a regra fundamental: o escritório nunca solicita pagamentos de taxas avulsas por WhatsApp como condição para a liberação de alvarás ou valores judiciais.
- Oriente os clientes a procurarem o escritório por canal oficial sempre que receberem qualquer mensagem suspeita sobre cobranças.
5. Como blindar a comunicação e eliminar brechas de segurança
A melhor forma de prevenir fraudes e proteger a reputação do escritório é construir uma estrutura de comunicação em que a dúvida não tenha espaço para surgir. Quando o relacionamento com os clientes depende unicamente de mensagens avulsas no WhatsApp, qualquer perfil falso criado com o nome da banca passa a parecer legítimo.
Para solucionar essa vulnerabilidade, o caminho mais seguro é adotar um portal oficial exclusivo para o acompanhamento processual. Plataformas especializadas como a PonteLegal oferecem um ambiente centralizado, criptografado e controlado, onde o cliente pode consultar andamentos, documentos e pagamentos com total autenticidade.
Ao acostumar a carteira de clientes a interagir por meio de uma plataforma oficial como a PonteLegal, qualquer mensagem de cobrança recebida por aplicativos de conversa é imediatamente identificada como fraude, garantindo a segurança do patrimônio dos seus clientes e preservando a credibilidade do escritório.

Escrito por
Dr. Christian CancelaChristian Cancela é advogado inscrito na OAB/BA sob o nº 67.928, com atuação em Direito do Consumidor e Direito Civil. Sua atuação profissional é direcionada à análise individual de conflitos, orientação jurídica e defesa dos direitos de seus clientes em questões envolvendo relações de consumo, contratos e responsabilidade civil.