Atualizações processuais transparentes reduzem o risco de fraude
Por Dr. Christian Cancela

Na advocacia, a falta de informação é um dos maiores geradores de ansiedade para o cliente. Quando um processo passa semanas ou meses sem atualizações claras, o cliente fica vulnerável a qualquer contato que traga novidades sobre o seu caso , e é exatamente nesse vácuo de comunicação que os criminosos agem.
Os estelionatários captam dados públicos do processo (como número da ação, nome das partes e vara) e forjam documentos falsos, como guias de pagamento com brasões oficiais, certidões adulteradas e falsos comprovantes de liberação. Eles entram em contato com o cliente se passando pelo escritório, alegando que um valor foi liberado, mas condicionando o repasse ao pagamento imediato de uma taxa via Pix.
Se o cliente não sabe o real andamento da ação, o documento forjado parece autêntico e gera a falsa sensação de urgência. Por outro lado, quando o escritório adota uma rotina de comunicação transparente e previsível, o cliente sabe exatamente em qual fase o processo se encontra e identifica a fraude no primeiro contato.
A seguir, veja como transformar a atualização de processos em uma barreira ativa de proteção para a sua carteira.
1. Entenda como o vácuo de comunicação expõe o cliente a documentos falsos
A rotina interna dos escritórios é intensa e, frequentemente, andamentos burocráticos que não exigem providências imediatas deixam de ser informados ao cliente. Contudo, para quem aguarda a resolução de uma causa, a ausência de notícias gera incerteza.
Os criminosos exploram exatamente essa vulnerabilidade. Ao apresentarem uma notificação ou guia falsa contendo o número correto do processo e os dados do advogado, eles encontram um cliente receptivo, propenso a acreditar que aquele documento forjado é legítimo.
Quando o cliente é mantido informado sobre a realidade do processo e sabe o estado autêntico da demanda, qualquer documento forjado enviado por terceiros é recebido com desconfiança imediata.
2. Alinhe as regras e a previsibilidade desde o primeiro atendimento
A prevenção contra abordagens fraudulentas deve começar na contratação. Desde o onboarding, o escritório deve deixar claro como funciona o fluxo de atualizações e quais são os procedimentos oficiais da banca.
Orientar o cliente sobre a dinâmica processual reduz expectativas irreais e ensina a identificar abordagens falsas. Pontos essenciais a alinhar desde o início:
- Fases reais do processo: Explicar que a tramitação segue etapas formais e que nenhuma liberação de valor ocorre de forma repentina sem o conhecimento prévio do advogado.
- Documentos e custas legítimas: Esclarecer que o escritório nunca envia guias avulsas para pagamento via Pix em nome de terceiros nem exige taxas para liberação de alvarás.
- Canais oficiais reconhecidos: Apresentar formalmente quais meios serão utilizados para o envio de relatórios, avisos e documentos.
3. Oriente sobre a diferença entre andamento legítimo e cobrança fraudulenta
Uma das estratégias mais frequentes dos golpistas é fabricar certidões falsas ou guias com timbres oficiais alegando cobrança de "imposto de liberação" ou "taxa de alvará".
O escritório deve orientar o cliente de forma categórica: decisões judiciais favoráveis não exigem pagamento prévio por Pix para repasse de valores. Eventuais custas processuais legítimas ocorrem por guias oficiais emitidas no sistema do próprio tribunal, e jamais para contas bancárias de pessoas físicas ou empresas estranhas.
Com essa orientação assimilada, o cliente reconhece imediatamente a falsidade de qualquer documento forjado que solicite depósitos urgentes.
4. Mantenha uma rotina de atualizações periódicas
Manter uma cadência previsível de comunicação com o cliente elimina a margem para especulações. Mesmo nos períodos em que o processo não apresenta novos andamentos relevantes, uma breve mensagem confirmando a situação regular da ação traz tranquilidade.
Essa consistência evita que o cliente procure informações em fontes inseguras ou fique vulnerável a abordagens de golpistas que apresentam documentos adulterados.
5. Como blindar a comunicação e eliminar brechas de segurança
A melhor forma de prevenir fraudes e proteger a reputação do escritório é construir uma estrutura de comunicação em que a dúvida não tenha espaço para surgir. Quando o relacionamento com os clientes depende unicamente de mensagens avulsas no WhatsApp, qualquer perfil falso criado com o nome da banca passa a parecer legítimo.
Para solucionar essa vulnerabilidade, o caminho mais seguro é adotar um portal oficial exclusivo para o acompanhamento processual e solicitações financeiras. Plataformas especializadas como a PonteLegal oferecem um ambiente centralizado, criptografado e controlado, onde o cliente pode consultar andamentos, documentos e pagamentos com total autenticidade.
Ao acostumar a carteira de clientes a interagir por meio de uma plataforma oficial, qualquer mensagem de cobrança recebida por aplicativos de conversa é imediatamente identificada como fraude, garantindo a segurança do patrimônio dos seus clientes e preservando a credibilidade do escritório.

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Dr. Christian CancelaChristian Cancela é advogado inscrito na OAB/BA sob o nº 67.928, com atuação em Direito do Consumidor e Direito Civil. Sua atuação profissional é direcionada à análise individual de conflitos, orientação jurídica e defesa dos direitos de seus clientes em questões envolvendo relações de consumo, contratos e responsabilidade civil.